Um dia desses me veio a certeza. Lá estava eu, dentro do que eu menos suspeitava. Tinha certeza de que estava ali, mais não sabia até que ponto isso poderia ser bom ou mau – de todo modo, tudo ficou ainda pior quando as lembranças espalhadas pelo quarto começaram a aparecer. E não falo de fotografias ou cartas, falo das coisas inatingíveis.
Naquele dia, todas as coisas, desde que abri os olhos e vi o teto claro sobre minha cabeça, me incomodaram. Aquele amontoado de coisas me fazia louca, porque até então, todo o meu trajeto só servira pra ratificar como eu-era-indepentende-e-não-precisava-de-ninguém, o que na prática, é claro, não se fazia verdade.
Sempre juntei toda ausência e, por vezes, até me amiguei com ela – talvez na esperança de que ela fosse menos cruel comigo em algum momento.
Com o tempo, me descobri não como a-independente-que-não-precisa-de-ninguém, mais sim como a frágil-que-precisa-de-alguém. Não foi difícil aceitar – a corda aperta o nó é no momento de entender. Logo eu, que sempre vivi de fotografias e não sofria nem um pouco por saber que daqui a um tempo estaria naqueles mesmos lugares, olhando aquelas mesmas fotografias. Mais o que me doía agora era maior, talvez um passado próximo.
Não entendia como eu, sempre tão precoce e coerente nas decisões, sempre tão certa das coisas que fazia, poderia estar daquele jeito, naquele quarto, sob o teto claro. Talvez toda essa inversão dos acontecimentos só me levasse a uma conclusão, o melhor a ser feito agora era o improvável, sim. Chorar, um choro sem sentido. Choro que quem só quer chorar, por não estar sendo visto. Um Choro que outrora fora dispensado, por ser coisa de fracos, agora acolhia a mim, uma Forte, com braços de mãe.

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